Ah a efemeridade dos momentos felizes,
centelhas incandescentes que pontuam a miserável existência dos
derrotados da vida. Como ver uma paisagem de cortar a respiração
enquanto o carro desgovernado se dirige para o abismo. É redentor o
tanas.
Eu sei que há muito que depende de
nós. Mas há um outro tanto que não. Não me posso queixar muito da
minha vida até aqui: o rácio entre portas fechadas e janelas
abertas prometia um futuro animador. Mas a fortuna tirou férias e
não deu mais notícias.
Sim, estou vivo. E saudável. Não
passo fome. Mas sem felicidade, sem gozo, sem júbilo isto não vale
de grande coisa. Já fui o maior da minha rua, fui mesmo. Coisas
boas, merecidas e imerecidas, caíam-me no colo. Nunca fui um tipo
positivo, entenda-se. Só que senti durante algum tempo que não
valia a pena ser negativo. Seria até desrespeitoso e ingrato da
minha parte. Mas é sempre mais fácil lidar com o infortúnio dos
outros. Ah, como é...
(Nunca imaginei que os meus escritos se
tornassem tão melancólicos. Perdoem-me os leitores. Mas às vezes a
pena põe a nu o que a voz insiste em calar. Prometo posts
menos macambúzios de futuro.)
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Mudemos então de assunto, caramba. Já
alguma vez ouviram The Divine Comedy?
Ouçam.
O pop
barroco que insiste ficar no ouvido e as letras, ora francas, ora
sardónicas (mas sempre geniais) do senhor Neil Hannon são
um tónico para esta alma atormentada que vos escreve.
Bom
fim de semana. Vemo-nos por aí (ou por aqui).