sexta-feira, 28 de novembro de 2014

O estado das coisas (III)

Ah a efemeridade dos momentos felizes, centelhas incandescentes que pontuam a miserável existência dos derrotados da vida. Como ver uma paisagem de cortar a respiração enquanto o carro desgovernado se dirige para o abismo. É redentor o tanas.
Eu sei que há muito que depende de nós. Mas há um outro tanto que não. Não me posso queixar muito da minha vida até aqui: o rácio entre portas fechadas e janelas abertas prometia um futuro animador. Mas a fortuna tirou férias e não deu mais notícias.
Sim, estou vivo. E saudável. Não passo fome. Mas sem felicidade, sem gozo, sem júbilo isto não vale de grande coisa. Já fui o maior da minha rua, fui mesmo. Coisas boas, merecidas e imerecidas, caíam-me no colo. Nunca fui um tipo positivo, entenda-se. Só que senti durante algum tempo que não valia a pena ser negativo. Seria até desrespeitoso e ingrato da minha parte. Mas é sempre mais fácil lidar com o infortúnio dos outros. Ah, como é...

(Nunca imaginei que os meus escritos se tornassem tão melancólicos. Perdoem-me os leitores. Mas às vezes a pena põe a nu o que a voz insiste em calar. Prometo posts menos macambúzios de futuro.)
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Mudemos então de assunto, caramba. Já alguma vez ouviram The Divine Comedy? Ouçam.
O pop barroco que insiste ficar no ouvido e as letras, ora francas, ora sardónicas (mas sempre geniais) do senhor Neil Hannon são um tónico para esta alma atormentada que vos escreve.

Bom fim de semana. Vemo-nos por aí (ou por aqui).




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